Experiência para marcar vidas: quando o estágio de graduação vai muito além de uma obrigação legal

O estágio obrigatório de um curso de graduação pode servir apenas como cumprimento de exigência curricular e prática aos futuros profissionais.

Mas pode também transformar outras pessoas e ambientes a partir de ações que gerem descobertas, novos comportamentos e reflexões.
Foi o que aconteceu com o estágio de Regiane da Luz, Eloir Chaves e Daiana Kupske, formandas de Psicologia da URI Santo Ângelo. Para cumprir o Estágio ênfase A – projetos sociais e institucionais, elas escolheram trabalhar nos Lares de Idosos Isabel Oliveira Rodrigues e Susana Wesley, onde atuaram durante este segundo semestre.
No Lar Isabel Oliveira Rodrigues, o projeto trabalhou com funcionários e cuidadores tendo como propósito melhorar as relações, buscando um ambiente saudável, “pois se os cuidadores estiverem bem cuidados, certamente vão cuidar bem dos idosos”, observam as estagiárias, acrescentando que “realizamos escutas, dinâmicas, resgate de histórias. Fomos bem acolhidas e o resultado pode ser considerado positivo”.
Já no Lar Susana Wesley, o trabalho foi realizado com as idosas ali residentes. “Primeiro nós detectamos as demandas, depois buscamos resgatar a convivência com familiares, vizinhos, antigos amigos. Os cuidados dispensados no Lar, com saúde e alimentação, nada deixam a desejar. A carência está relacionada aos afetos, à convivência e à ociosidade”, explicam as formandas. “São muito poucos os familiares que visitam ou levam a idosa para casa nos finais de semana”.
Com o projeto “Amigo do Idoso”, elas conseguiram reaproximar familiares, amigos e vizinhos. Através de fotografias, cada uma das idosas resgatou sua história e com a Dinâmica do Abraço, deram-se conta que há muito tempo não davam nem recebiam este tipo de carinho. “Elas fizeram cartões de Natal para trocar entre si, fizemos a brincadeira do Amigo Secreto e realizamos a Festa de Natal, para a qual as idosas montaram o pinheirinho e os familiares e amigos levaram lanches”.
As três colegas afirmam que o estágio foi muito gratificante, pois constataram melhoria nas relações entre as idosas. “A supervisão e acompanhamento das atividades foi feita pela professora Lizete Piber, que semanalmente nos orientava como agir frente aos desafios”.
Eloir, Regiane e Daiana dizem ser importante registrar que, no início, houve resistência entre as idosas, pois previam que no fim do projeto estariam sozinhas novamente. “Mas então aconteceu algo que julgamos muito bom. A direção do Lar Susana Wesley solicitou ao curso de Psicologia, que mantenha grupos de estagiários atuando com as residentes e, a partir de agora, pode-se pensar que haverá menos solidão, menos ociosidade e mais momentos de alegria entre elas”.