Infelizmente, o sarampo está de volta. Por que é tão importante fazer vacina?

 

O mundo está vivendo um surto preocupante de sarampo, e o Brasil faz parte do grupo dos 10 países que são os maiores responsáveis por essa guinada de 2017 para 2018.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta que todas as regiões do mundo registram aumento no número de casos da doença. Nos primeiros três meses de 2019 o número global de casos de sarampo aumentou em 300% comparados ao mesmo período de 2018. Surtos atuais incluem 168 países de todos os continentes com mais de 170.000 casos confirmados.

O Brasil vinha de uma sequência de zero casos em 2015, 2016 e 2017. Em 2016, inclusive, conquistou certificado da OMS (Organização Mundial da Saúde) de eliminação do sarampo. Mas, então, veio, em 2018, um novo surto com mais de 10.000 casos, principalmente no estado do Amazonas. Também houve registros em Roraima, Pará, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, São Paulo, Sergipe, Distrito Federal e Bahia.

DESCONFIANÇA

No Brasil, alguns pais se reúnem em grupos de Facebook e WhatsApp para discutir seus temores em relação às imunizações.

A desconfiança em relação à vacina tem origem em 1998, quando o médico Andrew Wakefield divulgou pesquisa preliminar levantando a possibilidade de vínculo causal entre comportamentos autistas e a vacina MMR, que protege contra sarampo, rubéola e caxumba, aplicada em 11 das crianças estudadas.

Em 2010, o Conselho Geral de Medicina do Reino Unido julgou Wakefield “inapto para o exercício da profissão”, qualificando seu comportamento como “irresponsável”, “antiético” e “enganoso”. E a revista científica Lancet, que havia publicado o estudo, se retratou dizendo que suas conclusões eram “totalmente falsas”. E mais: um médico que o auxiliou no trabalho veio a público dizer que, na verdade, não havia encontrado o vírus do sarampo em nenhuma das crianças – e que Wakefield ignorou essa informação para não prejudicar o estudo. Acontece que Wakefield havia feito um pedido de patente para uma vacina contra sarampo que concorreria com a MMR, algo que foi visto como um conflito de interesses.

Isto é muito preocupante, pois em 2019, 1151 casos de sarampo foram notificados em 12 países das Américas. Neste ano, o Ministério da Saúde já confirmou, até o dia 16 de maio, 92 casos de sarampo distribuídos em sete estados do Brasil, como Amazonas, Roraima, Pará, São Paulo, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

De acordo com a 12ª Coordenadoria Regional de Saúde, que abrange 24 municípios do Noroeste gaúcho, com uma população de 286.248 habitantes (censo 2010), a cobertura vacinal do sarampo tem atingido a meta de vacinação em crianças menor de 1 ano e 1 ano, com a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) em 2016, 2017 e 2018, com índices de 95,53%, 94,22% e 97,4% das crianças.

Em Santo Ângelo, conforme a Secretaria Municipal de Saúde, a cobertura para a vacina tríplice viral foi de 84% (2016), 90% (2017) e 100% em 2018. Essa excelente cobertura vacinal mostra conscientização e responsabilidade tanto da população como dos órgãos responsáveis.

A IMPORTÂNCIA DA VACINA

A professora doutora Vera R. M. Andrade, do curso de Farmácia da URI Santo Ângelo, explica que a transmissão ocorre diretamente de pessoa para pessoa, por meio de secreções do nariz e da boca, ao tossir e até mesmo ao falar, sem que a pessoa saiba. A transmissão do vírus começa antes de aparecer os sintomas da doença.

“Para que seja interrompida esta transmissão é preciso que pelo menos 95% da população seja vacinada. Então, fica o alerta para que todos verifiquem a sua situação vacinal e mantenham suas vacinas em dia. Isto é muito importante, porque além de se protegerem, evitam a transmissão para outras pessoas que não podem ser vacinadas como pessoas imunossuprimidos, bebês e mulheres grávidas”.

É importante salientar, continua a professora, “que o vírus do sarampo pode causar sintomas como febre alta (acima de 38,5°C), manchas vermelhas por todo o corpo, tosse, secreção nasal intensa, conjuntivite e pequenos pontos brancos na mucosa da boca, além de inflamação dos pequenos vasos sanguíneos (vasculite), podendo levar a complicações graves e até mesmo evoluir para a morte”.

A recomendações do Ministério da Saúde é para que todos os indivíduos de 1 a 29 anos de idade devem ter duas doses de vacina sarampo para serem considerados protegidos, e para adultos entre 30 e 49 anos de idade, sem comprovação de nenhuma dose, devem receber pelo menos uma dose da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola). A vacina também passou a ser liberada para crianças de seis meses de idade. Já, para os profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, dentistas e outros), independentemente da idade, devem ter registradas duas doses válidas. A vacina está disponível nas salas de vacinação da rede pública, assim como nas clínicas de vacinação da rede privada.

Outro alerta importante, é que o sarampo é registrado em todo o mundo, principalmente entre o final do inverno e o início da primavera. Portanto, precisamos ter muito cuidado agora que estamos exatamente neste período. E, para que se atinja o objetivo de voltar a ser um país certificado de livre do sarampo, precisamos todos nos conscientizar da importância de manter a vacinação em dia.(Assessoria de Comunicação – URI Santo Ângelo)

A seguir, uma figura ilustra os principais sintomas do sarampo.

Fontes consultadas:

BALLALAI isabella, MICHELIN Lessandra, KFOURI Renato. NOTA TÉCNICA 16/07/2018 Sarampo: Diagnóstico, notificação e prevenção. 2019. Disponível em: https://sbim.org.br/images/files/nota-tecnica-conjunta-sarampo-sbimsbisbp20180716.pdf

SOCIEDADES BRASILEIRAS DE REUMATOLOGIA (SBR), INFECTOLOGIA (SBI), IMUNIZAÇÃO (SBIm) E DO GRUPO ESTUDO DII BRASIL (GEDIIB). Alerta da situação epidemiológica do sarampo no brasil e orientações quanto a vacinação dos pacientes com doenças imunomediadas (reumatológicas, psoríase e doença intestinal inflamatória) posicionamento, 2019. Disponível em: https://sbim.org.br/images/files/notas-tecnicas/nota-tecnica-sarampo-sbr-sbim-sbi-gediib-190531.pdf

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Situação de sarampo no Brasil – 2019. Informe No. 37/2019. Disponível em: https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2019/marco/19/Informe-Sarampo-n37-19mar19aed.pdf